Divórcio

A tecnologia como ferramenta essencial para o desenvolvimento do Direito

Escrito por Marcus Novaes

Eu tenho pensado sobre os desafios que eu, como advogado, passo e cheguei a uma ideia de que o maior obstáculo, tanto para mim, quanto para meus colegas de profissão é se ver enquanto pessoa e olhar de igual para igual dentro dos serviços que oferecemos e clientes que atendemos. Nós não conseguimos fazer nada sozinhos, e o tempo é muito escasso nos dias atuais, por isso vejo como necessidade a busca em agregar valor ao que fazemos, buscar parcerias e, consequentemente, angariar novos projetos.

Além disso, uma área que tem me mostrado ser uma excelente fonte para tais pontos, é a tecnologia, que nos disponibiliza diversas ferramentas que podem nos auxiliar no dia a dia. Hoje, as mudanças acontecem de forma tão rápida, que é importante estarmos cientes da nossa maturidade, profissional e pessoal, pois ela reflete diretamente na aplicação e execução dos que fazemos.

A primeira vez que tive contato com o mundo de TI foi no evento LowTec, onde pude conhecer várias soluções tecnológicas voltadas para a advocacia. Eu lembro de ter ficado assustado, porque no primeiro contato eu tive a sensação que a inteligência artificial vem para engolir tudo. Mas conforme fui me aproximando mais desse mundo, entendi que ela jamais vai fazer tudo sozinha, porque ela precisa da condução do seu humano, e que precisamos nos abrir para caminharmos e nos desenvolvermos juntos a ela.

Desde que comecei a me inteirar sobre essas questões, pensei que precisava criar um pilar para meus nichos jurídicos e começar a entender sobre a parte do Direito que inclui questões sobre internet, direitos civis voltados para redes e mídias digitais, start up e afins porque tudo o que nasce quebrando paradigmas, como é o caso da tecnologia, tem consequência no âmbito jurídico.

Tenho me percebido fascinado por tecnologia, e tenho buscado conhecimento sobre esse segmento. Desde o marco inicial da internet, muita coisa já aconteceu. Tenho ido em muitos eventos sobre tecnologia, tanto para minha área como de alguns clientes. Recentemente participei do ConectiMob, maior evento de mercado imobiliário da América Latina, onde pude participar de palestras maravilhosas com CEOs de grandes empresas. É impressionante a visão dessas pessoas, a partir dali enxerguei uma coisa maravilhosa: as empresas não podem mais pensar em anos, tem que se pensar em décadas, porque essas soluções vem para ficar. São coisas que a gente não imagina. e justamente por isso não podemos dormir no ponto, se não seremos levados por uma juventude que tem mostrados vir para transformar regras e modos de viver.

Infelizmente, vejo muitos advogados receosos em aderir a aplicações tecnológicas, mas vejo que nós precisamos mesclar nosso know how com o que há de novo no mercado. Assim, é possível melhorar e qualificar nossos atendimento, desde o primeiro contato com o cliente, até a pós venda de nossos serviços. Além disso, é necessário que hoje tenhamos uma base de dados muito boa. É isso o que tenho feito e que tem me ajudado a ter mais conhecimento sobre os clientes que já tenho e o que chegam, porque assim consigo procurar soluções para cada caso.

Ressalto sempre que a tecnologia é capaz de nos ligar, de aumentar as pontes e melhorar nossos serviços, mas não podemos nos esquecer dos nossos princípios e propósitos, a pessoalidade é essencial. Você pode ter uma ferramenta ótima de relacionamento, mas você precisa ter tempo para seu cliente, para aquilo que você faz. Usar a tecnologia da informação a nosso favor, mas dar qualificação para nossos colaboradores, prestadores, associados, para que todos estejam inteirados.

Prego muito nos meus cursos de Direito Imobiliário que, hoje, o corretor imobiliário está em extinção, ele precisa buscar conhecimento e equilíbrio, e alinhar tudo isso para ter noções básicas em diferentes áreas, para ter informação de valor para passar aos seus clientes. E relaciono isso com todos o ramo de Direito, para além de comparações, a tecnologia veio para ajudar toda e qualquer pessoa e profissão. Quando eu falo em mudanças, eu falo de buscar uma nova forma de enxergar nossa relação com o mundo, falo de uma quebra de paradigmas. A gente precisa olhar com outros olhos e estar atento a todos tipos de tecnologia.

No meu escritório, percebi que uma plataforma de administração de processos não basta. É preciso uma plataforma que esteja inteiramente ligada com meus clientes, para entender o que ele faz, acompanhar suas mídias sociais, etc. Já é possível automatizar todo processo interno de administração judicial do cliente, então é possível buscar soluções que minimizem tudo isso. Muitas vezes o cliente não enxergar os detalhes do nosso trabalho, mas essa também é um fase de todo o processo, pois precisamos mostrar para eles que estamos trabalhando continuamente, através de notificações, mensagens e nos colocando à disposição para dúvidas e afins.

A tecnologia é o futuro, tudo vai ser plataforma. Vejam, o uber foi criado por clientes insatisfeitos. Assim como eu falo que o corretor tem que virar consultor, o advogado tem que mudar como se identifica, ele tem que se ver como um consultor jurídico, vender informação e tecnologia monopolizada pelos serviços jurídicos, e ter conhecimento diversos.

Todo esse contato com a área tecnológica, me fez entender que preciso entender quais são as dores dos meus clientes para que eu também possa criar soluções dentro daquilo que eu faço para eles, de forma coerente e concisa, empoderando tanto a mim quanto a eles. Tudo tem um propósito e não podemos separar o lado profissional do pessoal, precisamos agregar valor para o que fazemos, além do retorno financeiro. E eu enxergo a parceria entre empresas, pessoas físicas e a tecnologia algo essencial para caminharmos juntos.

Sobre o autor

Marcus Novaes

Advogado, Sócio da Madi e Novaes Sociedade de Advogados
Pós Graduado pela PUC SP em Processo Civil
Especialista em Teses Imobiliárias e Ações de Poupança
Casado com Karina Novaes e pai do Rafael, Manuela e Rebeca

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